Coletivo para Ecovila na

Chapada dos Veadeiros

Uma Introdução

Comunidades Descentralizadas

O termo Ecovilas surgiu no início dos anos 1990. Após a Eco 92, começa a emergir uma nova consciência, a nível planetário. O conceito engloba não só sustentabilidade e volta à natureza, mas uma nova perspectiva, agrupando ações e tecnologias sociais. Inovação é um termo que pode ser aplicado, dentro dessa nova perspectiva de vida em comunidade. O viver tribal que fez parte da vida do homem desde o princípio e foi deixado de lado com o florescimento das cidades, ressurge nesse momento em que vivemos uma crise global, não só ambiental, mas sobretudo uma crise de valores.

O homem sempre viveu em pequenas comunidades, de algumas dezenas de pessoas, onde havia pouca centralização. Nessas pequenas comunidades agrícolas, desenvolvemos a maioria de nossas tecnologias, dentro de uma dinâmica social envolvente. O movimento de ecovilas herdou a parte boa das comunidades antigas e incorporou valores e consciência ecológica, com  assentamentos humanos sustentáveis, somando ainda a experiência adquirida com as primeiras comunidades surgidas dentro do movimento da contracultura, desde os anos 1960, na América do Norte e Europa.

Como Uma Ecovila Pode Prosperar?

Solidariedade

Valores como a solidariedade e a compaixão fluem a partir do entendimento, da empatia, da troca desinteressada. As ecovilas, propõem formas organizacionais inovadoras, quebrando o padrão dos valores de mercado.

Pequeno Coletivo

Em pequenos grupos as relações se aprofundam, as pessoas se auto realizam, se sentem mais parte da comunidade, a criatividade aflora e a inovação pode surgir de forma inesperada.

Voluntariado

A ecovila pode contar com a ajuda, tão necessária para a construção da estrutura de base, de inúmeros adeptos em todo o mundo. Os voluntários oferecerão sua força de trabalho em troca de conhecimentos e vivências.

Produção de Alimentos

A implantação da agrofloresta pode gerar prosperidade, com alimentos para consumo próprio e moeda de troca. 

Gestão Humana

Uma Nova Visão

Não basta negar o sistema econômico, social e propor uma nova sociedade humana, uma nova relação com o meio ambiente passa a ser item obrigatório, dentro desse contexto. Preservar a vida em comunidade, sem a influência do sistema vigente é um grande desafio, cultivando valores como a solidariedade, a relação sustentável com o meio ambiente, não só sobrevivendo, mas prosperando apesar dos  imperativos do mercado.

Uma ecovila não é feita somente de técnicas bioconstrutivas e permaculturais, mas de pessoas. Valores como a solidariedade e a compaixão fluem a partir do entendimento do ser humano, da empatia, da troca desinteressada. Sem cálculos de custo/benefício, de quanto o outro agrega numa relação, ou seja, a lógica de mercado aplicada às relações humanas. As ecovilas, propõem formas organizacionais em que as pessoas podem se relacionar de uma forma inovadora, protegidas da mesquinharia, da usura, da barganha, da competição proposta e cultuada pela sociedade vigente. Dentro dessa forma organizacional, fora do tempo é dinheiro, a criatividade flui, os resultados se potencializam, na força do grupo.

Planejamento

Um projeto de Ecovila deve englobar:

  • Design permacultural, mapeando recursos, projetando e implementando ações para enriquecimento do eco sistema.
  • Arquitetura bioclimática com máximo aproveitamento do sol e dos ventos no aparelho comunitário, minimizando o consumo de energia elétrica.
  • Técnicas bioconstrutivas nas edificações, com uso de materiais naturais como terra, bambu, madeira caída, palha e outros.
  • Telhados verdes.
  • Uso de materiais de baixo impacto, renováveis ou reciclados.
  • Uso de pavimentação que não impermeabilize o solo.
  • Paisagismo ecológico diversificado, com dispersão de árvores nativas da região.
  • Aproveitamento de água de chuva.
  • Energia solar para aquecimento de água.
  • Tratamento de efluentes de forma descentralizada e de baixo impacto como banheiros secos e bacias de evapotranspiração.
  • Gerenciamento adequado de resíduos, com separação e encaminhamento do lixo para reciclagem.
  • Compostagem do lixo orgânico e podas, para reutilização nas plantas locais. 
  • Rios, cachoeiras, córregos, regatos, água minando do solo, com qualquer vazão, são áreas que devem ser reflorestadas com espécies nativas, enriquecidas e protegidas.

Formato Legal

Como Legalizar?

Por se tratar de um conceito inovador, não existe uma legislação específica para as Ecovilas no Brasil. O negligenciamento da questão legal tem sido um dos responsáveis pelo naufrágio de muitas iniciativas nessa área. Comunidades que tem a pretensão de viver à margem do sistema, acabam sendo aniquiladas por ele. Formar o grupo é o primeiro passo. Muitos outros passos são necessários, como encontrar e adquirir a terra ideal, cuidar da questão documental, impostos, taxas, implantação do projeto, gerenciamento e manutenção da área. Como a questão legal não pode ser negligenciada, é preciso ordenar as intenções dentro de um formato.

Entre os formatos possíveis estão as Cooperativas, quando houver uma produção que justifique o pagamento das altas taxas cobradas pelo governo, para que elas possam funcionar. Outro formato são os Condomínios Ecológicos, com todas as implicações, taxas e impostos que um loteamento legal deve ter para que seja aprovado pelas autoridades municipais e estaduais. Finalizando, a possibilidade que mais se aproxima do conceito, mas ainda longe do ideal, são as Associações, ou ONG’s.

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